Arquivos Mensais: Junho 2009

Eu sinto falta dela. De um jeito que parece bobo, porque não é a conversa ou a beleza, mas o cheiro e o toque que me fazem falta. Umas saudades meio que infantis de trepar devagar de conchinha debaixo das cobertas em dias frios. Saudades do cheiro da respiração profunda de quando ela dorme. Saudades de acordar com aquela pele encostando na minha.

As piadas que a gente sempre contava depois de transar, aquela preguiça gostosa de levantar pra lavar o pinto depois. Acho que estou ficando cansado de transar com mulheres que não me dão vontade de conversar depois.

Sempre ela, a saudade.

Ficar velho tem suas desvantagens, admito: a barriguinha que não volta mais, o cansaço, a falta de paciência. Por outro lado, sexo é menos esporte que brincadeira, e o velho aqui vai ficando cada vez melhor com esse tempo que passa devagar. E ela pede pra eu fazer assim, diz que gosta de fazer assado, acha que seria legal ir assim ou pra cá… been there, done that.

É ótimo brincar de professor, fingir que está no topo do mundo. Mostrar as brincadeiras que – de fato – se aprendeu nesse tempo de estrada. Lembro-me especialmente de uma mocinha muito assanhada que não queria tirar a calcinha num momento em que estávamos já agarrados, na cama dela, de cuequinha e calcinha. Sabe aquele “não” que na verdade já diz tudo, porque ela de fato não quer te dar, mas que também expressa um certo desespero de quem não achou que iria gostar tanto da brincadeira? Esse “não” só dizia no meu ouvido assim: pára de insistir em me comer, cara, eu quero ficar aqui de boa, mas sem sexo, e isso não vai rolar se você ficar insistindo, porra! E eu, no auge da minha putice, pensei comigo mesmo: tenho que jogar dos dois lados.

Simples assim: eu continuo deixando a pegação rolar, sem insistir no sexo, mas estimulando só o sexo. Isso significa, basicamente, evitar abraços muito apertados que não incluam ralar meu pinto por cima da calcinha dela. Também implica em puxar a mão dela pro meu pau, dar-lhe aquele princípio de dedada, só pra dar vontade, maneirar nos beijos, pra não distrair a atenção, e – claro – usar aqueles pontos fracos que toda mulher tem, mas que variam de mulher pra mulher. Se tu levou a mina pra cama peladinha, é de se esperar que você já tenha esse conhecimento, mesmo que só um pouco.

Num jogo de bilhar, esse tipo de sacanagem é o que a gente chama de sinuca de bico: ela não quer parar, mas não quer prosseguir. Aí você pára e prossegue: pára, porque diminui o estímulo que ela quer (o da pegação), e prossegue, porque aumenta o estímulo na parte que ela não quer (a da trepada). É uma puta sacanagem, e eu não recomendo o uso constante em namoradas ou esposas (a não ser que elas peçam), porque não é legal forçar uma trepada quando a mina não quer. Por outro lado, você vai acabar ganhando uma admiradora do seu potencial, mas que vai ter medo de se abrir pra ti de novo, já que sabe da sua “insistência” ou dos seus perigos… entendem?

Quanto à moça em questão, não trepamos. Ela resistiu bravamente, porque queria que eu dormisse na casa dela aquele dia (algo que vai contra certos princípios meus). Acabou oferecendo um boquetinho e sabe-se-lá-o-que-mais se eu ficasse por lá, mas aí fui eu quem decidiu partir. Até hoje a diabinha mantém contato comigo, e o papo sempre descamba pra leves putarias, do tipo que cabem em mensagens instantâneas.

Algumas coisas estão tão entranhadas na gente a ponto de parecer que são a gente mesma. Por exemplo, mesmo que não valha nada, uma prova vai inevitavelmente mobilizar os estudantes. No meu caso, foram os elogios.

Começamos a conversar no ônibus, eu com minha de europeu e sotaque americano no inglês, ela com cara de coreana e aquele “R” puxado que os russos levam pro inglês. Quando estávamos trepando no meu quarto, três dias depois, eu ficava tentando descobrir o que ela estava sussurrando em russo no meu ouvido. Quando ela reparou que eu estava encucado com a cena, resolveu me explicar: disse que eu sou bom. Bom? É. Beijar, abraçar, foder. Bom. E essa é a primeira vez que eu lamento ter um corpo “asiático”, por que você é grande demais pra mim.

Normalmente eu não ligo pro tamanho do meu pau durante uma foda, mas eu não tive como ignorar um elogio tão espontâneo. Não quis contar sequer pros meus amigos mais próximos, pra não estragar.

Apesar de ter criado um novo endereço – que se mostrou bem interessante por um tempo – o fato de precisar pagar e administrar aquele emaranhado de códigos fez o blog lentamente ficar pesado demais (pra mim, não pros browsers).

E sabiam que esse blog continua recebendo comentários e visitas? Já faz mais de um ano desde que decidi abandoná-lo, mas volta e meia o danado aparece de novo na minha caixa de emails. Além disso, agora eu tenho um motivo muito bom pra não abandoná-lo, mas esse eu prefiro guardar pra contar mais tarde.

Por enquanto, esse post fica como indicação de que voltei a prestar atenção nessa página infinita.