O sexo pelo sexo

Nesse nosso mundo moderno, tudo parece querer indicar alguma outra coisa: carro indica dinheiro, sorriso indica sucesso, estar cansado indica trabalho duro. Fachadas erguidas atrás de fachadas. O sexo, claro, não pode ser excluído dessa lista. Só que o sexo em si fica tão emaranhado no meio dessas brincadeiras todas, sabe?

Você malha pra ser forte e dizer que tem um bom preparo físico, e que, portanto, vai exibir uma performance sexual decente. Precisa dizer que é balela? Mas o que me preocupa não é o que a gente faz pra fingir que é bom de cama, mas sim o contrário: o sexo que a gente faz pra mostrar alguma outra coisa. Um exemplo clássico é o sexo de fazer as pazes, quando você dá ou come só pra mostrar que está tudo bem (mesmo que não esteja). Outro, é o sexo que a gente faz pra mostrar que esqueceu alguém: ir pra cama com o primeiro que passar na frente, só pra mostrar (mesmo que pra si mesmo) que ainda sabe usar o que tem no meio das pernas.

Papo vai, papo vem… e o sexo?

Sabiam que fazer sexo é gostoso, e que tem coisas para serem descobertas e curtidas? Infelizmente, o sexo mesmo fica completamente de lado no meio dessa saraivada de significados. A essa altura, nota-se que o termo “sexo” não se refere somente ao coito, mas sim a uma multitude de toques, carícias e brincadeiras. O pior de tudo é quando o sexo passa a ser usado como ferramenta política, especialmente pelas mulheres, quando negam. Essas mulheres, Vinícius já dizia, tem uma coisa de menos dentro do peito. Quanto ao mal uso do sexo, nós homens não ficamos de fora: ah, já te comi, porra!, calaboca aí. (ou coisa que o valha).

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Sexo oral

Eu não sei bem se dá, na cabeça das mulheres, a decisão de chupar o pau de um cara. No meu caso, acontece a despeito do que eu resolva pensar ou deliberar a esse respeito: tem mulher que eu chupo sem pensar e tem mulher que eu não chupo nem pensar. As moças que me desculpem, mas não é um processo racional, muito em bora eu possa tentar enumerar alguns fatores que – sem dúvida – influenciam o “processo”, se é que podemos chamar isso de processo: o beijo, o gosto do beijo, o cheiro da pele (perfume não conta, e homem sabe a diferença), a animação e o ‘entusiasmo’ da moça também contam, claro.

Eu me sinto um pouco como um analfabeto funcional quando tento ler os sinais ligados ao boquete. Isso não me frustra mais, apesar de me deixar meio sem chão vez por outra. O que acontece é que um homem acaba aprendendo a ler sinais por pura necessidade. Se eu não soubesse a diferença entre uma mulher que quer me dar e outra que não quer nem me beijar, não é exagero dizer que eu ainda seria virgem. Por mais injusto que seja, as mulheres simplesmente têm que dizer um “sim” ou um “não” pra conseguir o que querem. O lado positivo é que elas não passam fome, mas o lado negativo é que não aprendem direito como ler os sinais nós, homens, emitimos sem parar. Acreditem moças, já conheci mulheres por aí que me deu vontade de chupar depois de duas ou três palavras e olhares.

No caso das mulheres, tive que aprender a enxergar aquele momento em que elas decidem se gostam ou não de você. Depois de decidirem se gostam ou não, vem o momento meio crítico, que é quando elas olham pra você e avaliam mal e porcamente se você é gostoso. Não me levem a mal, mas não me refiro ao “gostoso” usado comumente. O meu “gostoso” inclui desde beleza física até bom humor, passando por beijos agradáveis e proficiência sexual. O problema começa por aqui… e a diversão também.

Depois dessa decisão favorável, a mulher está – de fato e de direito – aberta pra mim. Vez por outra eu gosto de atrasar um pouco o primeiro beijo ou a primeira transa. Esticar e protelar a impaciência gostosa que as mulheres sentem quando estão abertas. Talvez seja um pouco cruel, ou talvez seja somente uma vontade boba de querer aprender. Aprender, sim. Porque o que acontece é que as moças abertas são as mais difíceis de ler, e é nesse estado de abertura que elas se decidem sobre o boquete. Algumas parecem curtir o lance todo de ter um pau na boca e tal, enquanto pra outras aquilo ali é um suplício de tentar disfarçar a náusea e o desagrado. Eu tenho que respeitar essas moças que chupam mesmo quando não querem. Eu nunca forcei ninguém, mas também não neguei acesso (que eu me lembre).

Ainda assim eu me pergunto: pra uma mulher, o que é um boquete? E não consigo ler nada do que se mostra.


Essas mulheres…

Ela diz que eu sou namorado dela. Por conta disso, eu contraio débitos e créditos, digamos assim. Ela tem que me dar quando quero. Eu tenho que ligar pra ela pra conversar, senão ela diz que não tô nem aí pra ela.

Tem dias em que não tô nem aí pra ela.

Algumas outras têm certeza de que eu sou louco pra dar uns pegas. Faço charme, dou em cima, espero elas ficarem com vontade antes de sair fora. Elas juram que não querem me dar.

Essas eu só como se elas realmente me fizerem ficar com vontade.

Muitas estão por aí, inocentemente… me cumprimentam todos os dias de manhã, dizem oi, me dão um sorriso. Sabe quando você percebe aquela falta de malícia bem ali no jeito de andar? Acontece que sempre tem a olhadela de lado depois de sorrir.

É por conta dessa olhadela que realmente me faz ficar com vontade.

Mas o que me deixa preocupado são todas aquelas que não são nenhuma dessas de que já falei…